GAZETA MERCANTIL, TERÇA - FEIRA, 5 DE JANEIRO DE 1999
Sotfware automatiza envio de fax
Eurosoft cria nova empresa para trazer ao País
o TopCali, com tecnologia austríaca
João Luiz Rosa, de São
Paulo
A cena se repete todos os dias: no meio de uma tarefa importante, o funcionário
lembra-se que tem de enviar um fax. Pára o que está fazendo,
deixa sua mesa e vai até a impressora, retirar a cópia do
texto armazenado no computador. Em seguida, segue para o aparelho de fax,
onde encontra um colega tentando enviar outra mensagem. Resolve tomar café
enquanto espera e só dez minutos depois retorna ao trabalho.
Esse tipo de procedimento, aparentemente banal, pode custar até
US$ 2,5 milhões por ano para urna empresa de 10 mil funcionários,
segundo levantamento do grupo brasileiro Eurosoft. A conta surpreendeu
tanto a companhia, em busca de novas oportunidades de negócio desde
o início do ano passado, que levou à criação
de uma nova empresa.
Nascia a Eurosoft-Leadcomm, que está trazendo ao País seu
primeiro produto. Batizado de TopCall, foi desenvolvido pela empresa austríaca
de mesmo nome e tem 35% de participação no mercado mundial
neste segmento, segundo dados do lnternational Data Corp. (IDC), instituto
de pesquisa norte-americano, citados pela parceira brasileira.
O TopCall integra fax, telex e e-mail, entre outras formas de comunicação.
É possível enviar ou receber um fax a partir do próprio
programa de correio eletrônico, sem sair da frente do computador.
"Muitas empresas de grande porte estão implantando sofisticados
softwares de gestão, mas se esquecem de integrar o fax aos novos
sistemas corporativos", diz Cesar de Afonseca e Silva Neto, diretor-presidente
da LeadComm. É preenchendo esta lacuna que a companhia pretende
ganhar dinheiro.
O software já está em funcionamento no centro de competência
da Ernst & Young, em São Paulo, uma das grandes consultorias,
que, nos últimos anos, têm-se concentrado na instalação
dos softwares de gestão, os chamados ERP (Enterprise Resource Planning).
Programa pode proporcionar economia de até US$ 2,5 mi
por ano, diz a empresa.
A LeadComm também já integra o catálogo de parceiros
da alemã SAP, um dos principais fornecedores mundiais de ERP. O
próximo passo é buscar alianças com integradores do
software no País. O TopCall é compatível com outros
softwares de gestão, mas a estratégia de curto prazo da LeadComm
é concentrar as atenções no produto da gigante alemã.
"Existem mais de 200 empresas brasileiras que estão implantando
o sistema da SAP", justifica Silva Neto.
A meta da companhia é vender de 30 a 40 sistemas neste ano, com
previsão de atingir faturamento de US$ 20 milhões em 2001.
O investimento inicial, incluindo treinamento, é de US$ 1,2 milhão.
A disputa promete ser acirrada. "No mercado brasileiro existem cerca de
150 produtos que supostamente fazem a integração de fax",
in forma o diretor-presidente da LeadComm. O TopCall custa de US$ 1,5 milhão
a US$ 2 milhões, um valor alto, mas considerado competitivo pela
empresa devido às vantagens que oferece.
"Um único sistema pode movimentar até 10 mil mensagens de
fax em uma hora", diz Silva Neto. O menor deles envia e recebe cerca de
100 mensagens por hora. Essa escalabilidade é um dos atrativos com
os quais a LeadComm planeja fisgar seus primeiros clientes.
Outro chamariz, segundo a empresa, é a possibilidade de configurar
o sistema sob medida à estrutura do cliente. "Um fax do presidente
da companhia pode ter prioridade de transmissão, passando à
frente de uma fila de 200 mensagens", exemplifica Silva Neto.
Mas de todas as vantagens, a economia é o principal argumento na
estratégia de marketing da LeadComm. A empresa promete que o sistema
reduz em até 90% o número de aparelhos de fax no escritório,
e, consequentemente, de linhas telefônicas. Com isso, reduz a ociosidade
das linhas e permite a reorientação dos aparelhos de fax
para outras atividades. Podem, por exemplo, funcionar como impressoras.
Com prazo de entrega entre 30 e 60 dias e implantação em
até 3 dias, o TopCall é o primeiro passo para a diversificação
dos negócios do grupo, até agora concentrado em sistemas
sofisticados de troca eletrônica de documentos e correio eletrônico
para grandes empresas.
A meta é ampliar o público-alvo, incorporando também
companhias de médio e pequeno portes. "Em vez de trabalhar com 300
clientes potenciais, queremos ampliar nosso foco para cerca de 5 mil empresas",
diz o presidente da LeadComm.