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Os cursos "in company" tomaram-se um negócio rentável para
as universidades e escolas de negócios. A FGV foi a primeira a promover
cursos fechados. Apenas quatro anos após a inauguração
da Fundação Getúlio Vargas, em 1958, a área
de educação continuada já oferecia programas para
empresas. A demanda por esse tipo de curso aumentou substancialmente nos
últimos 10 anos.
No início da década, os cursos fechados não chegavam
a representar 5% do faturamento do GV-PEC (programa de educação
continuada). Segundo o vice-coordenador de educação continuada,
Paulo Sabbag, hoje, os cursos "in company" são responsáveis
por 50% da receita. "No ano passado, atendemos mais de cem empresas", diz.
Além de os cursos migrarem para um enfoque mais estratégico,
o perfil das empresas também mudou. De acordo com Sabbag, em 1994,
50% das empresas eram estatais. No ano passado, a iniciativa privada foi
responsável por 80% dos cursos realizados.
Na Fundação Instituto de Administração, da
USP, que começou a oferecer cursos para empresas em 1972, essa modalidade
é responsável por 70% do faturamento. "No início,
as companhias queriam cursos de curta duração em habilidades
específicas, como finanças ou marketing", diz o diretor da
Fundação James Wright, "Hoje, além desses cursos,
a maior demanda está concentrada em programas de formação
de gerentes, que duram até um ano".
Na FGV, cursos "in company" representam 50% da receita. Na FlA,
da USP, chegam a 70%.
Na Fundação Vanzolini, ligada à Escola Politécnica,
e no lbmec Business School, esse valor chega a 30%. "Crescemos muito na
onda do ISO 9000", diz o diretor da Fundação Vanzolini, Pedro
Luiz de Oliveira. Quem começou há menos tempo, como a Escola
Superior de Propaganda e Marketing e a Fipe (Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas), que usou a tradição da publicação
de índices para entrar na área, já obtêm 10%
da receita com cursos fechados.
A Business School São Paulo, por exemplo, acaba de entrar nesse
segmento com o curso de "key accounts management", baseado no relacionamento
entre fornecedores e clientes. "Percebemos que a demanda era grande, e
não podíamos ficar fora", diz o vice-reitor da escola, Amilton
Villela.
A dúvida, no momento, é se, com a crise, as empresas continuarão
apostando nesse tipo de curso. "Agora mais do que nunca o diferencial competitivo
de uma empresa são as pessoas e elas não podem deixar de
ser estimuladas ", diz o diretor de RH da Siemens, Carlos Fernando Damberg.
Na avaliação da diretora do lbmec Business School, Elysabeth
Guedes, a crise não deve diminuir a procura por cursos fechados.
"Nesse momento, o conhecimento técnico é mais importante
do que nunca", afirma. "As empresas não abandonaram seus projetos.
Sentimos um aumento da demanda."
(D D.)
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