GAZETA MERCANTIL - DOMINGO, 03 DE MAIO DE 1998	  Página  JF-7

O estresse e a qualidade de vida nas empresas

Gilberto Ururahy
O gerenciamento do estresse é um conjunto de procedimentos, em que se conjugam uma abordagem preventiva e um certo número de técnicas ativas, que permitem melhorar nossa maneira de enfrentá-lo. Os sintomas gerados pelo estresse são tão numerosos quanto as pessoas estressadas. Eles podem ser agrupados de várias formas e o principal sintoma é a degradação da capacidade de se relacionar. Em algumas pessoas, são as dores que dominam. Às vezes, as perturbações do sono e o cansaço estão em primeiro plano. Para outros, é a capacidade intelectual que se altera.
Um dos primeiros fatores de estresse na empresa está relacionado às relações interpessoais. Estressada, a pessoa sofre uma redução da capacidade de comunicação com sua equipe. Isto cria um sistema em cadeia, que torna as relações interpessoais um dos primeiros riscos à saúde.
Diante do estresse, alguns se isolam. Não falam mais, não ouvem mais e se fecham em seu mundo, como numa fortaleza. É como se tivessem medo de se comunicar ou, simplesmente, como se tivessem perdido toda a capacidade de comunicação. O risco dessa atitude é claro. A pessoa pode restringir-se a ruminar os mesmos pensamentos, sem perspectivas, sem achar solução. Gerenciar o estresse consiste em traçar perspectivas, antes de mais nada, através dos nossos próprios pensamentos.
Fadiga, cansaço súbito, perturbações do sono ou hábito de recorrer a excitantes, como café ou cigarro, revelam um estresse mal gerenciado. E este tipo de problema ocorre principalmente entre os executivos. Os indícios de estresse costumam ser banalizados de tal modo que, frequentemente, tendemos a considerá-los como normais e simples indicadores de uma atividade profissional exigente. Na verdade, são sintomas precursores de uma estafa.
Os problemas para levantar, pela manhã, assim como a maioria dos sintomas, devem ser vistos como sinais de alarme, na medida em que se arrastem sistematicamente por várias semanas. Os maiores problemas são as substâncias excitantes, que exercem enorme tentação, quando a pessoa se sente submetida ao estresse.
Outro cuidado é a alimentação desequilibrada e a vida sedentária. Nosso ritmo de vida e nossas emoções têm um papel preponderante na maneira como nos alimentamos e na escolha dos produtos que consumimos. Nossas angústias diárias agem sobre nosso peso, mas nem sempre do lado bom da balança. E o sofrimento decorrente do excesso de peso repercute de várias maneiras: no aspecto estético e nos problemas de saúde. O obeso tem maior risco de sofrer doenças cardiovasculares, pressão alta, fadiga e irritabilidade. Nossa maneira de comer pode ser influenciada pelo estresse. Se certos estressados reduzem sua alimentação, a maior parte, ao contrário, passa a comer mais, compensando suas angústias na comida. Qualquer que seja o caso, o estressado se alimenta mal.
Aprender a gerenciar o estresse não é fácil. Se os objetivos parecem evidentes, muitas vezes colocá-los em prática é complexo e exige esforços. Assim, muitos empregados reconhecem, habitualmente, que estão estressados, mas uma boa parte não se mostra disposta a receber orientações de gerenciamento do estresse. Esta atitude se explica certamente por um ceticismo quanto à eficácia dos métodos para controle do problema. Mas é preciso ver nisto também o medo de admitir uma fraqueza.
Gilberto Ururahy é médico e diretor da Med-Rio Stress.