GAZETA MERCANTIL - TERÇA-FEIRA, 05 DE MAIO DE 1998		Página C-10

Soprano muda e adota o rodízio de cargos

Marcelo Flach, de Porto Alegre
Os proprietários e diretores da Soprano Eletrometalúrgica e Hidráulica Ltda., de Farroupilha, na região serrana do Rio Grande do Sul, resolveram revolucionar o organograma administrativo da empresa.
A verticalização de cargos será gradativamente abolida. Diretores de áreas e gerentes gerais serão chamados de coordenadores de unidade. Eles poderão trocar de postos sem alterar o processo administrativo da empresa, à medida que os funcionários vão desenvolver-se para exercer uma multiplicidade de funções.
Em termos práticos, a empresa espera que com a nova dinâmica funcional, os empregados fiquem mais sintonizados com os objetivos da Soprano, e seja possível duplicar seu tamanho a cada três anos. O faturamento de 1998 está estimado em US$ 95 milhões. No próximo ano, o valor deve chegar a US$ 120 milhões.
A Soprano atua nos segmentos metalúrgico, elétrico e hidráulico. No ano passado, o faturamento da empresa chegou a US$ 60 milhões, um crescimento de 25% em relação a 1996.
O primeiro passo para a reformulação do organograma foi dado em fevereiro. O diretor-presidente, o diretor-superintendente e o diretor de mercado e manufatura tomaram-se coordenadores de processos. Preferencialmente, cada um continua cuidando da área que vinha atendendo, mas eles devem ter conhecimento dos três segmentos. "Não há uma divisão estanque entre eles", afirma o coordenador do processo administrativo e financeiro, Luiz Antonio Boff.
Com essa primeira alteração, a empresa conseguiu diminuir o tempo na tomada de decisões. Os três diretores estão dividindo o mesmo ambiente de trabalho, o que possibilita que troquem informações.
Agilizar o processo produtivo, reduzir a burocracia interna e manter o quadro funcional enxuto estão entre os motivos da adoção do novo organograma. A empresa tem 1.108 funcionários nas unidades de Farroupilha e Caxias do Sul, também no interior gaúcho. Em julho de 1996 eram 1,2 mil empregados.

Empresa espera duplicar de tamanho a cada três anos com nova estrutura funcional.

A reformulação continuará nos próximos meses. Os funcionários vão deixar de ter uma função fixa. O gerente de vendas, por exemplo, poderá ser chamado para ocupar a gerência financeira. O objetivo dessa troca é de colocar em prática uma nova metodologia de trabalho. Tenha cumprido ou não o que foi planejado para o cargo, o funcionário poderá ser deslocado para outra posição na empresa. "Mexe-se em time ganhador para melhorar o rendimento de outra equipe que ainda não seja vencedora", compara Boff.
Nem todos os funcionários precisarão mudar de cargo de tempos em tempos. "Vamos dar essa oportunidade para quem tem ambição e sente necessidade de mudar", explica Boff . Ele lembra que a direção da empresa não está inventando nenhuma nova forma de administrar. A idéia do organograma circular, chamado pelos funcionários de redondograma, foi retirada de livros sobre administração. E a proposta é de valorizar a pessoa, não o cargo.
A Soprano também pretende formar uma equipe que tenha desenvoltura para atuar nos diferentes segmentos de produção da empresa. A indústria produz fechaduras, cilindros hidráulicos para caminhões basculantes, disjuntores elétricos para uso residencial e industrial e acessórios para móveis (dobradiças e puxadores, entre outros). As peças para essas unidades são fabricadas na divisão de componentes da Soprano.
Em janeiro, a empresa aumentou a diversificação de produtos e passou a importar utilidades domésticas, como viandas térmicas, potes de acrílico e filmes de poliéster. "Queremos uma linha que se aproxime do consumidor porque nossos demais produtos são vendidos para distribuidores", assinala Boff.
A produção da Soprano é destinada basicamente para o mercado interno. As exportações representam 8% das vendas. Os maiores compradores são Argentina, Chile e Peru. Os puxadores de móveis são comercializados com a Inglaterra.
A indústria foi fundada em 1954 e fabricava os acordeões Soprano, tornando-se conhecida nacionalmente. No início da década de 70, a empresa começou a mudar de atividade.
Foi nessa época que o fundador da empresa, Silvino Agnese - que hoje detém 18% das ações -, aceitou novos sócios, entre eles o atual controlador da Soprano, Adelino Miotti, com participação de 73%. O próprio Miotti, que até fevereiro era diretor-presidente da Soprano, agora responde pela função de coordenador de visão estratégica da indústria.